segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

22 DE DEZEMBRO DE 1995


Edu Planchêz
Um jovem poeta de 36 anos
Absolutamente encantado com as flores &
primeiros frutos de um pé de maracujá
plantado por suas lentas mãos

Eu
Edu Planchêz
Juro cravar as unhas do sol
no lombo dessa terra escura

Provei o vômito da loucura
sob o efeito dos amargos comprimidos
Estive no pátio do PINEL & do Sanatório da Tijuca,
e não achei nada engraçado,
Encontrei pessoas carcomidas pelas engrenagens
da ambição desmedida
E tome Aldol-Gardenal-Diazepan...
Três dias e três noites amarrado a uma cama de triagem
Muitos ali como eu
despencaram de suas camas fissurados por eternidade,
mal orientados
( nossos mestres tinham perdido as chaves),
fomos nos afastando da realidade da vida,
das pessoas, das coisas & mergulhamos no fel do egoísmo

SE A FLOR DA LUZ EMERGE DA LAMA,
DE VOLTA À LAMA!

Hoje não mais evito as pessoas e os fatos
Se as pessoas são sujas quero me sujar com elas
Conheço teu cabelo amarelo Van Gogh
de longe e de perto
Tudo aos amigos!

Eu
Edu Planchêz
Um jovem poeta de cinco bilhões de Kalpas

Minha coroa de lírios
Meu trono de folhas
Amo o vapor barato dos trens que nunca existiram
Onde há vaga-lumes
há desertos futuros oásis
Seu magno brilho
derrama-se em minha pele negrinha

Você só geme no leme dessa arte sonolenta
Você só laça os furacões escritos no arco-íris

Toda uma linhagem de criaturas
transita aqui na memória

Nomes e mais nomes
Irael Luziano sempre Irael

À custa dos guardiões das estrelas e
da minha própria decisão
sobrevivo às mais absurdas intempéries

Eu
Edu Planchêz
Absorvo seu olhar bebendo chá mate
É noite, um pouco mais de zero hora
Componho esse poema para ser lido em alta voz
Componho-me

Edu monólito Planchêz
chamando das alturas de um poço

Pedras quentes poderiam recarregar
a carne selvagem de nosso coração nave

Busquei outrora o desregramento dos sentidos
Houve um alto preço por essa ousadia
Tornei-me
um homem-experimento-cavalo-da-poesia-gema-real

Por certo movo-me no corpo de um poeta
Por certo semeio lendas nas terras em que piso

Atiça esse fogo, meu caro amigo
chegado das pradarias de outras tantas histórias!
Marejou com o gavião maneiro de Deo Lopes
Navegou com o ímã das almas curiosas,
ao vento, aos acordes preferidos de Xangai

Minha mulher Marilza dorme
A cadelinha Vanderléia observa algo
Meus pés no cimento do verão do sul hemisfério
Imagens da neve de dezembro de New York
Pessoas, patins, censuras e sensores
Almas totalmente abertas no corpo a corpo,
em meio à guerra absurda
e ao orvalho do homem integral

Meus pais dormem,
meu irmão caçula e sua companheira grávida
fazem o mesmo

Escrevo esse poema bálsamo selvagem
elixir para o nosso sangue eternamente grávido

Maravilha nascer e viver numa época tão conturbada,
apinhada de demônios
Era de Mappo, campo vastíssimo,
repleto de motivos para lutar
Viva a luta!
A luta travada através
das canções
da Renascença do verdadeiro espírito humano

Meu gelo no teu gelo
Meu sol no teu sol

Edna Laranja e Isabel Mar de Egeu
Passando por essa Angra dos Reis
indo fundo na cidade do Rio de Janeiro
Volto aos nomes e são tantos os nomes
e são tantas as bocas beijadas e ainda por beijar
“Alma Corsária”, Carlos Steinberg

Cinema maravilhoso de nossos novos amigos
Cristal líquido
Tecnô-chinês
nas telas atlânticas
Gotas de todos os mares pulsando agora
em mim e em você
meu amado-amada

(edu planchêz)

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